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MEU CADERNO


PLUGADOS

Todos os dias observo críticas positivas e negativas à existência das redes sociais.

Penso a respeito e observo que as mesmas pessoas que fazem duras críticas ao facebook, o fazem utilizando o próprio espaço virtual do facebook.

Quando menino observava os adultos negando peremptoriamente o fato de assistirem novelas, o que ainda hoje fazem adultos e adolescentes, porque desde sempre se estabeleceu um conceito de que novela é cultura barata e voltada ao público povão, logo, chique mesmo é dizer que não assiste por qualquer motivo, de preferência, que se ocupa com as séries americanas de canal fechado.

Os críticos de antes são os mesmos de hoje. Tudo gira em torno de negar ou de um não querer estar no mesmo lugar que todos ou que a maioria. Gira em torno de querer demonstrar algo especial. No horário da novela, estou na academia, ou leio um livro, ou só entro no facebook para ver as atualizações uma vez por dia e responder recados etc tal.

A internet surgiu e é inevitável a globalização e a derrubada das fronteiras. Com as redes sociais o mundo está plugado em tempo real. Nada mais se esconde. A tendência de se acabar com as impunidades se mostra regra matemática e próxiam de solução. A exposição de tudo e de todos e a todo momento traduz realidade, por vezes dura, mas um fato.

Traições são descobertas e expostas antes mesmo dos envolvidos se preocuparem com encobertar. As sombras onde se escondiam ou ainda se escondem infratores, passo a passo são iluminadas. A escola se tornou um ambiente vigiado onde os pais observam seus filhos ininterruptamente com a justa e presente preocupação com a segurança de suas crias, mas apesar do festejar, existe um zona de desconforto com o fato de todos serem ou estarem expostos à tal luz “full time”.

Com toda essa exposição, muitas vezes não se tem mais espaço ou se abre mão do espaço para o contato pessoal e todos passam o tempo todo plugados, ainda que neguem, plugados e vigiando e sendo vigiados.

Esse novo ser humano plugado demonstra uma neessidade de expor opinião e mostrar conhecimento sobre todos os fatos e com isso rivalizar e debate e formar fóruns de discussão, o que obviamente, além de chato, deturpa, desvia foco e atrapalha muitas conversas, muitas amizades e quase todos relacionamentos. Via de regra os fatos são os fatos e as pessoas formam suas próprias opiniões ou deveriam formar por si mesmas. Vejam:

·         Morre adolescente na estrada vítima de bandidos

·         Adolescente é estuprada por mais de 30 homens

·         etc

A convergência em torno da necessidade de impedir novos crimes de tais naturezas deveria unir as pessoas e não rivalizar e cada qual formar uma tese e lutar pela vitória da opinião, não mais da luta contra um fato presumivelmente condenável ao olhar do homem médio. Abandona-se o fato em desfavor do comportamento deliquente ou a onda de criminalidade em favor da vitória da tese formada, da opinião dada.

O cerne da preocupação é desviado em algum momento e o plugadão passa a sentir-se obrigado a formar conceitos, firmar análises a fim de ser protagonista nesse espaço comum, na praça virtual.



Escrito por andlouro@uol.com.br às 16h21
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